Sobre a confiança, pouco gostaria de ter a dizer. Quanto à dúvida, talvez tenha mais coisas a considerar do que gostaria.A confiança tem por seu destino o imprevisto certo. Em meio ao caos existencial, é necessária uma dose de dogmatismo na qual se agarrar a qualquer custo. Não há como prever o segundo seguinte, mas seguimos projetando. Tudo culpa da confiança que nos sussurra tranqüilidade em relação a algo que nem ao menos conhecemos – apenas imaginamos que sabemos a respeito. A confiança crê conhecer algo que não se permite conhecer plenamente – apenas traçar alguns parâmetros sobre ela. Mas pensamos que essas impressões superficiais nos revelam a verdade. E então o tédio passa a ser rotina.
O mundo, nós, o universo, somos todos um eterno devir em tornar-se e destornar-se, de criar, recriar, transgredir o óbvio. O óbvio não existe senão por causa de nossos pré-conceitos que limitam uma vida de ininterruptas descobertas a experiências encaixotadas em padrões de modelos fabricados.
Não é possível conhecer o mundo, prever acontecimentos ou conhecer pessoas. Só podemos conhecer o ser constante, mas somos todos um estar mutante.
O auto-conhecimento já é uma tarefa difícil o suficiente para uma vida inteira.
A dúvida angustia, mas liberta. Deve libertar. Sentir e estar atento a todas as coisas, sensações, pores-do-sol e sorrisos duvidando sempre do que parece óbvio. Viver como se tudo fosse uma experiência inédita.
É preciso duvidar.
Duvido de mim, de meus pensamentos, de meu coração, de minhas vontades, da minha racionalidade, dos meus sentimentos. Desconfio. E mais atenta fico a cada desconfiança até destruir todo tipo de verdade que exista em mim.
Dubito, ergo sum.
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2 comentários:
'Dubito, ergo sum'
Duvidar é bom.É como filosfar sempre.Adorei seu blog
=]
De nada pela visita e obg pelos 'parabéns'
=)
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