Thursday, September 04, 2008

Desencaminhanças

Disse Heidegger

“Todo caminho corre o perigo de desencaminhar-se. Para percorrer tais caminhos é preciso exercitar o passo. (...) Permaneça no caminho da autêntica necessidade e aprenda, nesse estar errante a caminho, o trabalho do pensamento (...)”.

A necessidade, mais autêntica do que nunca, chegou do desprevenido e trouxe em seu colo o espanto. O passo destreinado, a rota desviada, o mapa errado e a trilha incerta. À minha volta não era mais o meu mundo.

Barulho.

Disseram que o divino é tudo o que desconhecemos. O mistério. Disseram também que a angústia é o medo do nada e que a felicidade é tudo aquilo que não temos.

Nas palavras reside nossa orgulhosa racionalidade. Através delas, prefiro tornar-me o irracional diluído em um devir ininteligível.
Tento tropeçar em qualquer oração escrita ao acaso que me revele meu próprio mistério de ser. Um ser que não sendo, torna-se coisa coisificada: pura indefinição que passeia pelo quadrante.

Entre céu e terra, a dimensão do possível. Entre os mortais e os divinos, a ignorância dos mistérios. E a Coisa, que não se deixa esquecer e nem definir. A Coisa. Aquela que reúne integrando a quadratura. Aquilo ininteligivelmente percebido. O que mostra-se em seu encobrir.

Na fatalidade talvez resida o acaso. Ou talvez o acaso seja só uma fatalidade inesperada.

Estar perdida é estar aberta à possibilidades.





Do Ser e do Tempo.

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