Friday, October 17, 2008

Quereres

Que do mundo a gente busca apenas a felicidade é fato demonstrado desde as primeiras supressões do ego nos primeiros anos de vida. A gente começa querendo tanto que só tem olhos para nossas vontades e o objetivo de cumpri-las. Sede de satisfação plena.
Aí nos ensinam que há outros quereres alheios que devem coexistir pacificamente com os nossos numa idéia de respeito ao próximo. A nossa percepção, antes tão tangível pelos nossos próprios quereres e sensações, deve ampliar-se numa abstração que nos faça sair de nosso eu e sentir o que está fora de nós. Eis a noção do outro.
Com o passar do tempo, o que deveria evoluir desta etapa para alguma maior, acaba ficando preso na oscilação entre essas duas primeiras fases: ora queremos demais e esquecemos do outro, ora pensamos demais no outro e esquecemos nossos próprios quereres.
A vida passa e os dias nos imprimem acontecimentos que, ou nos fazem renunciar a algumas vontades importantes em nossa busca pela felicidade, ou nos fazem querer tanto e mais que acabamos regredindo às épocas primordiais de valorização do próprio umbigo e cegueira panorâmica daquilo que ocorre fora de nós.


Entre um extremo e outro, acho que tendo mais à primeira situação. Mas dessa vez não quero renunciar. Acho que o instinto inicial está voltando em mim.


Que eu me resguarde livre da cegueira panorâmica.


- Eu só quero ser feliz.

2 comentários:

Marcela Brunelli said...

A cegueira e ignorância da opinião alhei pode atrapalhar muita coisa, mas quando privilegiamos uma em detrimento da outra, é bem provável que saiamos perdendo.
O bom é equilibrar as duas, e tentar ser o mais coerente possível.


Ok, ok, nem sempre é possível, mas a gente tenta! ;)

Amo vc, nega!
Bjinhos

João said...

Deus salve à nós da cegueira dos tempos.
Deus nos mande Saramago antes que seja tarde.